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ROGERIO CENI FALANDO SOBRE A INDEPENDENTE EM ENTREVISTA A PLACAR

"Já joguei com e sem torcida organizada no estádio. Não tem nada no mundo que anime mais a gente do que uma organizada. É bonito. Você vê uma Independente pulando e gritando... Isso mexe com o jogador. Você ganha a partida com esse apoio. Fiquei triste quando veio a proibição. (Em 1995, a Justiça baniu todas as organizadas dos estádios paulistas.) Mas tem o lado da violência. Será que se voltar a organizada não vai dar problema de novo?" Rogerio Ceni

O FALSO "MUNDIAL"

O jornalista Juka Kfouri, que nunca escondeu sua paixão pelo timinho da Marginal, sendo inclusive autor do livro da história do clubinho, escreveu o seguinte, em sua coluna na FOLHA DE S.PAULO: " A DOR DE COTOVELO DE QUEM NÃO GANHOU EM TÓQUIO"

Há uma maldade em curso promovida por corintianos e vascaínos espalhados pelo país: desmerecer a final do Mundial de clubes em Tóquio. Tanto a que o Palmeiras disputará contra o Manchester United, em 30 de novembro, quanto todas as demais. Corintianos demostram sua dor de cotovelo em relação aos SÃO-PAULINOS, BICAMPEÕES MUNDIAIS, e aos palmeirenses que os derrotaram na recente Taça Libertadores. Já os vascaínos não admitem que o Flamengo tenha o título que eles não obtiveram diante do Real Madrid no ano passado. Torcedor não tem jeito mesmo. Há anos que cada clube tem um Projeto Tóquio e bastou a Fifa instituir o seu Mundial de Clubes para que Tóquio virasse ainda mais apenas sinônimo de Taça Toyota. Não é justo e não esta certo. Tanto a FIFA reconhece o jogo no Japão - o nome oficial da taça é Intercontinental - que escala o árbitro e hasteia sua bandeira no estádio. O próprio Mundial da Fifa, aliás, comprovará que o campeão sairá do continente americano ou do europeu. Os outros campeões continentais serão meros coadjuvantes de Corinthians, Vasco, Real Madrid e Manchester. Mas a injustiça em relação a quem já foi campeão mundial começa pelo Santos, que foi bi e num sistema que promovia um jogo na Europa e outro na América, sem Tóquio. Apagar o passado não parece ser o mais razoável, como já se fez, diga-se, em relação ao próprio Santos e ao Cruzeiro, ditos jamais vencedores do Campeonato Brasileiro, embora tenham ganhado tal espaço antes da existência do Campeonato Brasileiro- de resto um festival de futebol como eram a Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, a Taça de Prata ou de Ouro. Tudo que os colorados sempre quiseram na vida foi ir a Tóquio, mas foi o Grêmio quem lá esteve, duas vezes - e assim por diante. É claro que se o Mundial da Fifa pegar, o jogo de Tóquio, no futuro perderá o sentido. Mas, por enquanto, corinthianos e vascaínos devem mesmo é tratar de ganhar o atual Campeonato Brasileiro, único meio de legitimar sua participação no mundial da Fifa, que deveria ter o Palmeiras como campeão da América e outro Campeão nacional do país sede o vencedor em 99. E não diga que não dava tempo. Se dá tempo para esperar o campeão da África, por que não daria para esperar o do Brasil ?

A Idade de liberar hormônios
(por Canisso*)

"Semi final da Copa do Brasil e o Flamengo enfrenta o Grêmio no Olímpico. De repente, eu, Betinho e Rodolfo, três flameguistas, nos vemos sozinhos em um mar de gremistas. O pior não é não poder torcer pelo seu time, mas ter de fingir que se alegra com o gol adversário. "E aí, não vai comemorar?", gritou um torcedor assim qeu Jardel definiu o placar. Comemoramos. Vivi situação oposta na primeira vez que fui no estádio, há quinze anos. Foi demais ver o Flamengo no Maracanã. A realização só foi completa, no entanto, quando me vi no meio da galera vestido com uma camisa de uma Torcida. Senti o maior orgulho. A gente precisa demonstrar que faz parte de alguma coisa. Desde que a Seleção conquistou o tetra, o Brasil vive um novo boom do futebol. As redes de vôlei que cobriam a areia de Copacabana perderam lugar para as peladas. Todo mundo joga futebol e, em dia de campeonato, todos querem participar. Os profissionais da bola estão vivendo uma das melhores fases. Se não fosse o aspecto sorte, que conta muito, o Brasil ganharia todas. Quando um jogador chega a Seleção é como se colocasse um arquivo secreto em ação. Parece que o cara fez pós-graduação. O brasileiro tem a manha de levar a bola. Mistura um pouco do samba. Já que não dá para participar lá dentro do campo do Maracanã ou do Pacaembu, nos contentamos em fazer a nossa parte na arquibancada. Torcida é muito legal. Pode ter um lado ruim, como as pancadarias que acontecem de vez em quando, mas tem um lado bom. Quem não gosta de fazer parte de algum grupo? Principalmente quando se tem 17 anos. É a primeira produção sozinho, o primeiro contato com o mundo real. Nessa idade, qualquer um é meio galo de briga. Todo garoto precisa extravasar a virilidade. Alguns preferem pegar o carro do pai e sair para apostar corrida. Destruirão o primeiro carro da família. Eu mesmo bati varias vezes.

Outros preferem o futebol. A agressividade não tem nada a ver com os times. O futebol é só uma culpa. Quando chega a uma certa altura, o búfalo vai bater com a cabeça do outro. É natural da idade, não tem jeito. A mesma coisa acontece com a gente. É claro que todo tipo de campanha para controlar esta agressividade é válida, mas a única saída é proteger os caras deles mesmos. Cabe ao policiamento ficar atento e dar o limite. Uma hora passa. Quando o cara amadurece, deixa de ser galo de briga. É verdade, porém, que tem gente que já passou da idade de liberar hormônios e ainda continua achando o máximo entrar em briga de gangue. Existe um monte de lobotomias vivas por aí. Tem homem da minha idade agindo como moleque. O cara perdeu o bonde. O Objetivo final é a violência. Quer ser impôr pela força. Fascismo puro."

*O flamenguista Canisso é baixista dos Raimundos
Texto retirado da Revista Placar Nº 1113, Março de 1996 - Pagina 12